Esclarecimentos sobre Hemodiálise
O medo do desconhecido e a falta de informação tornou a
hemodiálise temida pela maioria da população. Mas
o que poucos sabem é que o paciente que se submete à hemodiálise
pode ter uma vida normal com trabalho, estudo e diversão. Com a
inauguração do novo Centro de Hemodiálise do Hospital
Santa Rita as opções de tratamento estão mais modernas
e acessíveis a quem precisar.
O que é hemodiálise?
A hemodiálise é um tipo de tratamento onde uma máquina
filtra o sangue retirando dele as impurezas do organismo. Quando os rins
não funcionam normalmente aumentam no sangue as quantidades de
substâncias como uréia, creatinina e potássio. Para
eliminá-las do organismo existe a máquina da hemodiálise
que possui uma membrana que age como filtro. Por essa membrana passam
a solução de diálise e o sangue numa velocidade de
300 ml/minuto. Em contato com o sangue a solução de diálise
"puxa" a uréia, a creatinina e o potássio que
deveriam ser elimindas pelos rins. Em geral, a hemodiálise é
feita três vezes por semana em sessões que duram quatro horas
cada uma. As variações acontecem de acordo com o peso e
idade do paciente.
Como uma pessoa sabe que precisa fazer
hemodiálise? Quais os sintomas?
Na maioria dos casos a doença renal crônica é muito
ingrata e raramente tem um sintoma que é típico dela. Muitas
vezes a pessoa nota que inchou as pernas, os olhos, a pressão está
um pouco alta ou começa a tratar uma anemia. O doente acaba passando
por vários médicos até chegar a um nefrologista e
constatar o problema nos rins.
Outros sintomas são a infecção
de urina e a calculose de repetição. Pessoas que têm
problema na próstata ou tumor no útero também devem
ficar atentas, além do próprio envelhecimento natural que
pode causar arteriosclerose nos rins. Quem começa a levantar à
noite para urinar várias vezes também deve procurar orientação
médica. A alteração na cor da urina, que fica parecida
com Coca-Cola, é outro sinal de alerta.
Quais as principais doenças renais
que levam o paciente a fazer hemodiálise?
A principal é a hipertensão arterial, muito comum na população.
Quinze a 20% da população adulta são hipertensos
e desses, cerca de 30% precisam fazer hemodiálise. Diabetes é
outra grande causa.
O diagnóstico precoce das doenças
renais ajuda no tratamento?
As grandes causas que levam o paciente à hemodiálise são
as hipertensão e a diabetes. Não é possível
evitar o tratamento mas sim protelá-lo. Um hipertenso que faz um
bom tratamento pode viver muitos anos e morrer sem a necessidade de hemodiálise
enquanto o doente mal tratado em menos de dois anos já está
em hemodiálise.
Quais as opções de tratamento
para o paciente com insuficiência renal?
Existem vários tipos e a hemodiálise é o mais comum,
que corresponde a 75%. Outro tipo de diálise é a CAPD (Diálise
Peritonial Ambulatorial Contínua), que pode ser feita em casa após
o paciente ser treinado. Por meio de um cateter implantado na barriga,
o paciente coloca 2 litros do líquido de diálise no abdomen,
fecha e pode desenvolver suas atividades normalmente. Passadas algumas
horas ele deve drenar o líquido e infundir outros 2l. O procedimento
deve ser repetido 4 vezes diariamente. A CAPD é vantagem para pessoas
idosas, com problemas de locomoção e crianças.
Outro tipo, que chegou ao Espírito Santo há 5 anos, é
a APD (Diálise Peritonial Automatizada). Na APD a máquina
vai para a casa do paciente e ele pode realizar suas tarefas normalmente
durante o dia e fazer a diálise só à noite, enquanto
ele dorme, após conectar o tubo da máquina no cateter do
seu abdomen. A própria cicladora infunde e drena o líquido
na barriga do paciente.
Atende pelo SUS?
Oitenta por cento dos nossos pacientes são do SUS e 20% são
conveniados. Não existe paciente particular porque o tratamento
é muito caro. No Hospital Santa Rita, se ele for do SUS, estiver
em tratamento de hemodiálise e precisar operar o coração,
poderá fazer todos os procedimentos de alto custo sem qualquer
ônus. Aqui o paciente pode fazer desde um simples exame de urina
até um transplante renal sem precisar procurar outra instituição.
Outra grande diferença é que ao voltar para casa e sentir-se
mal o paciente da hemodiálise pode procurar o pronto socorro do
Hospital Santa Rita a qualquer hora do dia ou da noite, todos os dias
da semana, que no mesmo momento os especialistas da nefrologia serão
chamados e o paciente é internado no próprio hospital, mesmo
não tendo convênio.
O tratamento de hemodiálise é
seguro?
O novo Centro de Hemodiálise do HSRC foi adequado de acordo com
as normas da ANVISA (Associação Nacional de Vigilância
Sanitária) obedecendo a portaria de hemodiálise e transplante
renal. Todo o cuidado foi tomado desde as máquinas de última
geração até a largura das portas. Além disso,
foram adquiridas 16 máquinas de proporção, totalmente
informatizadas. Elas possuem alarme detector para ruptura de membrana,
verificam se está entrando bolha de ar no paciente ou se pressão
alterou. Essas máquinas podem ser reguladas de acordo com a situação
do paciente para que ele sinta menos os sintomas de queda de pressão,
vômito e dor de cabeça durante as sessões de hemodiálise.
Qual o tratamento feito com a água
utilizada?
O tratamento da água é feito com a mais alta tecnologia.
A água é tratada pelo método de osmose reversa e
fica tão pura que pode ser usada até para cirurgias.
Quantos profissionais atuam no Serviço?
As normas da Secretaria de Saúde pedem um técnico de enfermagem
para cada 4 pacientes. Nós estamos além desses números
e temos seis técnicos para cada 16 pacientes e mais dois enfermeiros
formados e três médicos. O trabalho é feito por uma
equipe de enfermagem que está há mais de 10 anos no serviço.
O paciente recebe algum tipo de acompanhamento
externo?
No novo Centro de Hemodiálise temos uma pessoa do Serviço
Social e da Psicologia para atender as necessidades do paciente. Na hemodiálise
não podemos somente nos preocupar com a técnica. Às
vezes o paciente chega aqui todo inchado e desnutrido e um profissional
está pronto a dar suporte a ele e à família orientando-os.
Oitenta por cento do bom tratamento de hemodiálise depende do paciente
e da família e 20% de uma boa orientação médica.
Como o paciente poderá fazer parte
do programa de hemodiálise?
Agendando uma consulta médica através do telefone: (27)
- 3334.8073 ou 3334.8148